8 de noviembre de 2016

Administração não é teoria!

Enquanto as revistas científicas e universidades estiverem “presas” nas paredes eclesiásticas da academia, praticamente ninguém (ou quase ninguém) da sociedade e do mercado irá ler meros textos teóricos.

Estamos no século XXI e o que move (ou tende) a todos nós chama-se: empreendedorismo. Esta palavrinha ganhou destaque em todas (ou maioria) as áreas do conhecimento, das escolas técnicas e universidades. Criar, inovar e gerir tornou-se “adjetivos” necessários a todos os estudantes que quisessem crescer na carreira profissional.

Além do caráter prático das profissões, existe o lado acadêmico de cada ciência. Em específico, administração, podemos enfatizar que a maioria dos docentes dão importância a prática de mercado (cotidiano empresarial, gestão, modelos de negócios, ferramentas gerenciais etc.) e, um nicho, dá relevância a pesquisas científicas na área. Empiricamente, existem dois mundos na administração, o mundo dos gestores e o mundo dos acadêmicos.

A diferença entre teoria e prática é uma das conversas mais presentes nos corredores das escolas de negócios, além, dos relatos sobre a distância entre as pesquisas científicas e as aplicações práticas na empresa (TONELLI, 2016). Com o advento da internet e a democratização do conhecimento viu-se o boom de revistas científicas e publicações de artigos. No Brasil, nota-se a presença de dois periódicos pioneiros no campo da administração, estes são: a Revista de Administração de Empresas da FGV e a Revista de Administração da USP. Além dessas revistas existem outras, relevantes no cenário da pesquisa em administração no Brasil.

É importante destacar que as revistas têm um caráter acadêmico com alto rigor metodológico. Existem outras revistas (nacionais e internacionais) que possuem um caráter mais gerencial. Em tese, são publicações de professores, mestres e doutores. Esse grupo “seleto” de pensadores da administração muitas vezes é rotulado como “teóricos” e estão distantes da realidade de mercado. Isso é uma verdade.

Em relação ao título do artigo refiro-me que as revistas, assim como as universidades, necessitam estar em contato com a sociedade e o mercado. As revistas e os seus cientistas necessitam sair do “casulo” ou das “paredes eclesiásticas” da academia, caso queiram que seus manuscritos sejam lidos pelos profissionais de mercado, empresários, executivos, sociedade etc. Teorias e mais teorias do empreendedor sinalizam para um contexto filosófico do campo da administração. E como tal, essas teorias não serão lidas até mesmo pelos próprios acadêmicos.

No Brasil há “n” publicações acadêmicas e um grande quantitativo de escritores e poucos leitores (WOOD JR., 2016). Outro aspecto negligenciado é o caráter produtivista das revistas acadêmicas. Hoje, os pesquisadores (docentes e discentes) querem publicar a qualquer custo e pontuar na plataforma Lattes. Não importa a relevância da pesquisa, o que importa é publicar!

Possuo textos publicados com essência teórica. Por um lado, quase ninguém os leu. Por outro, estou buscando publicações com um “sentido” mais realista do mercado e da sociedade. Apesar de gostar da área acadêmica não podemos teorizar tudo da área de negócios e ficarmos presos em nosso “casulo”. Retratar a realidade e desenvolver ferramentas para auxiliarem as empresas torna-se fundamental.  

Em suma, os cientistas da administração devem buscar soluções para a aplicar no universo das organizações. Se continuarem a escreverem teorias correrão o risco de ninguém (ou quase ninguém) os lerem. Enfim, administração não é teoria.

Referência:

TONELLI, M. J. Editorial. Revista de Administração de Empresas, v. 56, n. 4, jul./ago. 2016.

WOOD JR., T. Vitrines anacrônicas. out, 2016. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/revista/924/vitrines-anacronicas>. Acesso em: 07 nov. 2016.

Autor: Lucas Rodrigo Santos de Almeida
Email: <lucasalmeidarecife@gmail.com>
Fuente: <http://www.administradores.com.br/>
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